Somos seres errantes. Erramos na forma de querer ser aquilo que não somos. Sentimo-nos no direito de sentir a dor através de outros, de outros que, como nós, se dizem sofridos pela dor que muitos outros diziam sentir. Sentimo-nos desparazitados quando nos sentimos especiais. Sentimo-nos iguais quando não passamos de figuras banais. Enganamos a verdade sem ver que a mentira do querer mais se apodera de nós. Às voltas e contravoltas lançamo-nos na beira do abismo à procura do prazer em explosões de adrenalina. De passos indiferentes, sentimos o chão que se deixa escorregar debaixo dos pés. Vemos o diferente sem notar que é igual e o igual indiferente ao diferente. Ambicionamos ser diferentes, sem nunca notar que não passamos de meros objectos que se deixam balançar no Ser preso à cúpula do crânio. Ocos de sentido, de significado e significância, estacamos pendurados, sôfregos da Vida que deixou de ser nossa, para passar a ser dos outros. Os outros, que também ao nosso lado, permanecem balançantes num fundo adormecido pela apatia de quem queria ser sem nunca o ter sido.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Subscrever:
Mensagens (Atom)