02-06-2009
O pensar talvez seja a constante da nossa vida. Ultimamente tenho vomitado palavras. Palavras interrogadas preenchem páginas em branco. E nesta mania de procurar o sentido das palavras enquanto escrevo, acabo por esquecer o mais importante, a pontuação. As pausas. Momentos vazios que nos preenchem igualmente. [Pausa] Talvez seja o falar de Nada como forma de evitar o todo de uma existência perturbada. Hormonas anárquicas obrigam-me a cuspir a ideia do caos. Um caos instalado sobre um olhar observador e omnipresente que insiste em repelir o significado das leituras lineares dos animais parados sobre duas pernas. Bichos racionais que à força de ferros quentes espetados nas costas, transformaram essa racionalidade na irracionalidade que eu hoje conheço. Já nada mais nos une, a não ser a marca desenhada do ser social que uma vez fui. Agora, já sem receio de ferros e possíveis marcas, deixo-me questionar pela artificialidade da Vida que me tentam impingir. Viver com a bíblia social encerrada na mesa-de-cabeceira ajudou-me a trajar a máscara que me protege. Uma máscara vestida a meio-tempo pela aparência, mas jamais adormecida pela alma que a enverga. Um ser prático na complexidade dos outros e impraticável no simplório de si mesmo. [Pausa]
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