sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

CARPE DIEM 365

Á parte do emaranhado de pessoas agrupadas num centro geométrico, acendo um cigarro. Pessoas graciosamente vestidas. As luzes intermitentes fazem adivinhar as mulheres que se passeiam de saltos e lantejoulas. Nesse piscar furioso, são também visíveis as gravatas desalinhadas nos pseudo-homenzinhos, que se fazem acompanhar por copos alcoolizados. A música estridente e a nostalgia hipócrita dos 364 dias vividos, fazem despertar novas filosofias. CARPE DIEM. Homens famintos que, do alto da sua jovialidade, procuram saciar-se nas fêmeas, cujos movimentos, se assemelham a uma qualquer dança de acasalamento. As horas vão passando e, da mesma forma que o jantar de véspera passa a servir de fertilizante na relva, as línguas trocadas são cada vez mais frequentes. Como que epidémico, independentemente do espaço e das pessoas, mãos estranhas tocam corpos estranhos. E na estranheza de uma filosofia que começa e termina na mesma noite, pessoas desconhecidas agem como se de conhecidas se tratassem e, por escassos minutos de regozijo, no último dia do ano, são estupidamente felizes. Pisando o cigarro num pé de dança, faço por me perder naquela orgia sublime.

1 comentário:

  1. Mistura e funde-te ao tecido de gente igual. Ser diferente assusta. Não tem de se notar. A diferença não é sobressair, é saber estar, olhar e ouvir. calar, bocejar, consentir e uma vez ou outra retribuir. :P

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